Núcleo de Estudos de Identidades e Relações Interétnicas
  • Publicado em 16/06/2014 às 20:35

    Copyright: Ilka Boaventura Leite


  • Carta ao Governador do Estado de Santa Catarina

    Publicado em 13/01/2018 às 17:29

    Florianópolis, 08 de janeiro de 2018.

    Ao Excelentíssimo Governador do Estado de Santa Catarina
    Senhor João Raimundo Colombo
    Centro Administrativo do Governo
    Rod. SC 401- KM. 5, n. 4.600
    Florianópolis, SC

    Excelentíssimo Senhor Governador,

    As equipes de pesquisa e órgãos acadêmicos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) vêm expressar o profundo pesar e a extrema necessidade de justiça frente ao assassinato cruel sofrido pelo professor indígena Marcondes Namblá, do povo indígena Laklãnõ-Xokleng da Terra Indígena Laklãnõ, Alto Vale do Itajaí. Marcondes fazia trabalho temporário em Penha-SC, vendendo picolés neste período de férias turísticas no litoral do estado, quando, no dia 1º de janeiro de 2018, foi espancado na cabeça até cair desacordado. Resgatado pelos bombeiros, foi levado ao Hospital Marieta Konder Bornhausen em Itajaí, onde foi submetido a três cirurgias, porém não resistiu. No momento o suspeito de assassinato encontra-se foragido e a polícia qualificou o crime como “homicídio por motivo fútil”.
    Marcondes era egresso da UFSC, formado em 2015 pelo Curso de Licenciatura Intercultural Indígena do Sul da Mata Atlântica, fazia parte de uma geração que vislumbrou na universidade um lugar para compreender melhor as dinâmicas políticas, econômicas e sociais que ao longo da história atingiram seu povo de forma injusta e sangrenta. Em seu Trabalho de Conclusão de Curso pesquisou e trabalhou o tema Infância Laklãnõ e a prática dos banhos nos rios, coibidos pela construção da Barragem Norte. Liderança expressiva, exercia o cargo de juiz na Terra Indígena Laklãnõ. Como liderança e professor recém-aprovado no Concurso Público de Ingresso no Magistério Público Estadual 2017, primeiro concurso de professores indígenas do estado, preocupava-se com o fortalecimento da língua materna, com processos de circulação de saberes e com as dimensões identitárias e territoriais. Tinha planos de prosseguir os estudos cursando o Mestrado em Antropologia na Universidade Federal de Santa Catarina e apresentava posicionamentos claros quanto à importância da escola na formação das crianças e jovens de sua Terra Indígena.

    A nós restou a revolta por constatar que vidas indígenas são interrompidas em qualquer esquina, como se algum outro ser humano tivesse esse direito. Acreditamos que este acontecimento não consiste em um fato isolado, mas se soma a outros casos de violência étnica, preconceito, intolerância e xenofobia em relação aos povos indígenas no estado de Santa Catarina. Basta lembrar que em 30 de dezembro de 2015, o menino Vitor, da etnia Kaingang, foi assassinado na rodoviária de Imbituba, litoral catarinense, no colo de sua mãe, que se deslocava para vender artesanato durante a temporada de verão. Há muitos anos, os indígenas Mbyá-Guarani da Terra Indígena Morro dos Cavalos vêm sofrendo ataques consecutivos, como o recente episódio de uma mulher, mãe de uma liderança, que teve sua mão decepada. Os casos acima evidenciados não podem ser tratados como casos isolados ou simplesmente qualificados como crimes “por motivo fútil” como a polícia os têm tratado. A violência contra os povos indígenas é estrutural ao processo histórico ao qual foram submetidos e é sistemática, diária, individual e coletiva, deixando profundas marcas físicas e psicológicas.
    Registramos aqui nossa tristeza, nossa indignação, nossa perda, mas, sobretudo, queremos, neste momento de dor, solicitar ao Excelentíssimo Governador do Estado a tomada de posição e a efetivação de políticas públicas em relação às seguintes demandas:
    1. Combate efetivo, através de instrumentos legais, de quaisquer ações criminosas de violência física, racismo e xenofobia, efetuadas contra os povos indígenas em Santa Catarina, seja no nível individual como coletivo, fazendo valer o estabelecido no capítulo Dos Índios na Constituição Federal (1988), no artigo 192 da Constituição Estadual (1989), na Convenção 169 da OIT (ratificada pelo Brasil em 2004) e na Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas (2007);
    2. Investimento em ações positivas voltadas para a conscientização sobre a diversidade étnica no Estado de Santa Catarina e para o respeito ao modo de vida dos povos indígenas, por meio de campanhas culturais e educacionais, incentivando, por exemplo, a efetivação da Lei 11.645/2008 nas escolas catarinenses;
    3. Garantia da participação dos povos indígenas na formulação, execução e monitoramento das políticas governamentais conforme legislação acima mencionada;
    3. Criação, junto aos governos municipais, de condições para que indígenas possam gozar do direito cidadão de circular com tranquilidade e segurança pelas cidades catarinenses, especialmente durante a temporada do verão, quando se deslocam em maior número de suas aldeias para exercer atividades voltadas para obtenção de renda extra, como o comércio de artesanato.
    Finalmente gostaríamos de requerer uma audiência com o Excelentíssimo Governador para que estas demandas sejam devidamente apresentadas e esclarecidas.

    Atenciosamente, subscrevem os abaixo signatários:

    Licenciatura Intercultural Indígena do Sul da Mata Atlântica (LII)
    Núcleo de Estudos de Populações Indígenas (NEPI)
    Secretaria de Ações Afirmativas e Diversidades (SAAD)
    Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH)
    Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS)
    Programa de Pós-Graduação em Linguística (PPGLin)
    Departamento de Antropologia
    Museu de Arqueologia e Etnologia (MArquE)
    Ação Saberes Indígenas na Escola – Núcleo Santa Catarina
    Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Brasil Plural (INCT/IBP)
    Instituto de Estudos de Gênero (IEG)
    Núcleo de Arte, Cultura e Sociedade na América Latina e no Caribe (MUSA)
    Núcleo de Dinâmicas Urbanas e Patrimônio Cultural (NAUI)
    Núcleo de Antropologia Audiovisual e Estudos da Imagem (NAVI)
    Núcleo de Antropologia do Contemporâneo (TRANSES)
    Núcleo de Identidades de Gênero e Subjetividades (NIGS)
    Núcleo de Estudos de Saberes e Saúde Indígena (NESSI)
    Núcleo de Estudos sobre Identidade e Relações Interétnicas (NUER)
    Núcleo de Pesquisa em Fundamentos da Antropologia (A-funda)
    Laboratório de Estudos das Violências (LEVIS)
    Laboratório de Ecologia Humana e Etnobotânica (ECOHE/CCB)
    Grupo de Pesquisa em Políticas Linguísticas Críticas/CCE
    Grupo de Estudos em Oralidade e Performance (GESTO)
    Comissão Organizadora do 18º IUAES World Congress


  • Exposição “Kadila: Culturas e Ambientes – Diálogos Brasil e Angola”

    Publicado em 13/12/2017 às 11:17


  • Nota de repúdio da ABA contra o ataque à liberdade de divulgação do conhecimento científico sobre os impactos da mineradora Belo Sun na Volta Grande do Rio Xingu

    Publicado em 04/12/2017 às 10:57

    A Associação Brasileira de Antropologia (ABA) vem a público repudiar a ação violenta ocorrida contra a antropóloga Prof.ª Dr.ª Rosa Elizabeth Acevedo Marin e os participantes do Seminário “As Veias Abertas da Volta Grande do Xingu – Uma Análise dos Impactos da Mineradora Belo Sun Sobre a Região Afetada por Belo Monte”, realizado no auditório do Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA) da Universidade Federal do Pará (UFPA), no dia 29 de novembro de 2017.
    Os atos de violência nesse evento foram praticados por um grupo liderado pelo prefeito de Senador José Porfírio/PA, Dirceu Biancardi (PSDB), e pelo Deputado Estadual Fernando Coimbra (PSD), que vieram ao campus da UFPA, em Belém, com o objetivo de cercear e impedir a manifestação e a publicização de estudos e análises sobre impactos socioambientais associados à exploração mineral pretendida pela mineradora canadense Belo Sun. Tais estratégias de inibição do debate acadêmico pelo uso da violência fere a “liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento e o saber”, que é garantida no Brasil pela Constituição Federal de 1988 (artigo 206), e tem como beneficiária a universidade e instituições acadêmicas versus o abuso de poder político e econômico que pretende impedir a veiculação do conhecimento socialmente relevante.

    A ABA, como associação científica, repudia veementemente e considera inadmissível esse grave crime de assédio cometido contra a liberdade acadêmica e o fazer antropológico em contextos de políticas públicas, que produzem impactos socioambientais associados a projetos desenvolvimentistas impostos autoritariamente.

    Brasília, D.F., 30 de novembro de 2017

    Associação Brasileira de Antropologia
    Gestão 2017-2018

    Nota_Diretoria_ABA_repudio_caso_evento_belo_monte


  • Coordenadora do NUER recebe Medalha do ‘Mérito Cultural Cruz e Sousa 2017’

    Publicado em 04/12/2017 às 10:52

    A professora Ilka Boaventura Leite, do departamento de Antropologia da UFSC, ganhou a Medalha do Mérito Cultural Cruz e Sousa 2017, conferida pelo Conselho Estadual da Fundação Catarinense de Cultura do Estado de Santa Catarina, em solenidade no dia 24 de novembro no Centro Integrado de Cultura. A professora, há mais de 30 anos,  foi criadora e coordenadora do Núcleo de Estudos de Identidades e Relações Interétnicas (Nuer) e vem realizando pesquisas e inúmeros trabalhos sobre estudos afro-brasileiros, populações e comunidades quilombolas e religiões afro-brasileiras. A Medalha é conferida a pessoa que tenha contribuído de modo eficaz para o enriquecimento ou defesa do patrimônio histórico, artístico e cultural do Estado. A escolha foi feita por Consulta Pública a partir do site da Fundação e dentre 79 indicações foram escolhidas 8 pessoas.

     

    Mais noticias: http://www.sol.sc.gov.br/index.php/noticias/3999-personalidades-culturais-recebem-a-comenda-cruz-e-sousa-2017


  • O livro “Territórios do Axé: religiões de matriz africana em Florianópolis e municípios vizinhos” já está disponível em PDF

    Publicado em 18/10/2017 às 15:10

    Clique aqui para fazer o download do livro em PDF.

     


  • Publicado em 17/10/2017 às 16:46


  • Lançamento de livro sobre mapeamento dos terreiros da Grande Florianópolis no Templo Ecumênico no último sábado, 16 de setembro

    Publicado em 19/09/2017 às 15:06

    Convênio entre UFSC e IPHAN resultou no livro “Territórios do Axé: religiões de matriz africana em Florianópolis e municípios vizinhos”, organizado pelo NUER – Núcleo de Estudos de Identidades e Relações Interétnicas. O livro foi entregue às lideranças religiosas presentes e demais autoridades, e deverá ser encaminhado também às instituições catarinenses diretamente envolvidas com as religiões afro-brasileiras.

    Em breve um PDF do livro estará disponível no site http://kadila.net.br/territorios-do-axe/

     

    O Projeto Territórios do Axé: religiões de matriz africana em Florianópolis e Municípios Vizinhos, realizado pelo (NUER) foi coordenado pela professora do Departamento de Antropologia, Dra. Ilka Boaventura Leite, e contou com uma equipe de mais de 40 pessoas, entre professores de diversos departamentos, estudantes de pós-graduação e graduação, militantes afro-religiosos e principalmente o povo de santo.

    O livro contém o levantamento das religiões de matriz africana realizada em Florianópolis, São José, Biguaçu e Palhoça. Tal publicação contem também um levantamento das principais modalidades de práticas religiosas, a história da formação das casas religiosas, um perfil das lideranças e demais informações que ressaltam a importância do patrimônio material e imaterial dessas instituições.

    A pesquisa vem romper com o enorme silêncio que paira sobre as religiões de matriz africana em Florianópolis e seus arredores. Tal projeto procurou enfatizar por um lado, a presença efetiva dessas manifestações religiosas, a diversidade e a riqueza do seu patrimônio cultural; por outro, revelou a persistência da discriminação, do preconceito e do racismo, que, de várias formas, impedem o efetivo reconhecimento destas religiões como um dos direitos inscritos na Constituição Brasileira.

    Durante o seminário aconteceu uma cerimônia religiosa de abertura para saudar esse importante momento e conquista para a comunidade de santo da cidade. Após a manifestação das autoridades presentes, a equipe fez uma breve apresentação dos resultados do projeto e cada casa recebeu uma cópia do livro contendo o relatório final do trabalho realizado.


  • III Seminário Religiosidades Afro-brasileiras

    Publicado em 10/09/2017 às 11:20


  • FUNZANA: Posso tocar no seu cabelo? Entre o “liso” e o “crespo”: transição capilar, uma (re)construção identitária?

    Publicado em 28/08/2017 às 12:29


  • O Brasil é quilombola, nenhum quilombo a menos!

    Publicado em 16/08/2017 às 11:45

    Em agosto, o futuro de milhões de quilombolas será decidido no Supremo Tribunal Federal (STF).

    Em 2004, o Partido Democratas (DEM) entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no STF, questionando o decreto 4887/2003 que regulamenta a titulação das terras dos quilombos. O julgamento se estende desde 2012 e será retomado no dia 16 de agosto.

    Todos os títulos de quilombos no país podem ser anulados. O futuro das comunidades está em perigo. Novas titulações não serão possíveis sem o decreto. Mais de 6 mil comunidades ainda aguardam o reconhecimento de seu direito.

    As comunidades quilombolas são parte da nossa história, do nosso presente e também do nosso futuro.

    Assine a petição e diga ao STF que não aceite a ação do Partido Democratas! Junte-se à luta dos quilombolas pelo seu direito constitucional à terra.

    O Brasil é quilombola! Nenhum quilombo a menos!

    https://peticoes.socioambiental.org/nenhum-quilombo-a-menos