Núcleo de Estudos de Identidades e Relações Interétnicas
  • Publicado em 16/06/2014 às 20:35

    Copyright: Ilka Boaventura Leite


  • O Brasil é quilombola, nenhum quilombo a menos!

    Publicado em 16/08/2017 às 11:45

    Em agosto, o futuro de milhões de quilombolas será decidido no Supremo Tribunal Federal (STF).

    Em 2004, o Partido Democratas (DEM) entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no STF, questionando o decreto 4887/2003 que regulamenta a titulação das terras dos quilombos. O julgamento se estende desde 2012 e será retomado no dia 16 de agosto.

    Todos os títulos de quilombos no país podem ser anulados. O futuro das comunidades está em perigo. Novas titulações não serão possíveis sem o decreto. Mais de 6 mil comunidades ainda aguardam o reconhecimento de seu direito.

    As comunidades quilombolas são parte da nossa história, do nosso presente e também do nosso futuro.

    Assine a petição e diga ao STF que não aceite a ação do Partido Democratas! Junte-se à luta dos quilombolas pelo seu direito constitucional à terra.

    O Brasil é quilombola! Nenhum quilombo a menos!

    https://peticoes.socioambiental.org/nenhum-quilombo-a-menos


  • Cais do Valongo é o útero do país

    Publicado em 16/08/2017 às 11:37

    “Quase ninguém parece ter entendido ainda a exata dimensão da importância do Cais do Valongo, agora finalmente declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Desde descoberto, não é exagero dizer que o Cais do Valongo passa a ser o lugar mais importante do Brasil.

    Quantos teóricos quiseram e querem entender, até hoje, por que nosso país “não dá certo”? Quantos artigos, quantas palavras gastas para tentar entender a violência de nosso cotidiano, a corrupção em nossa cultura?

    Todas as respostas estão no Cais do Valongo. Na frase do antropólogo Milton Guran: “O maior porto escravagista da história da humanidade.” Um milhão de pessoas, trazidas da África para cá, entre 1811 e 1843. Proporcionalmente, comparando com os índices demográficos daquela época e hoje, um número atualizado de 12 milhões. Os que já chegavam mortos eram enterrados de qualquer jeito ali mesmo; um enterro sanitário no chamado “Cemitério dos Pretos Novos”.

    O maior porto escravagista da história da humanidade fica no Brasil. Isso explica desde o superfaturamento em obras aos assassinatos de posseiros no Pará. Desde a chacina do Carandiru ao apoio da classe média ao regime militar e a recente popularidade do conservadorismo. O maior porto escravagista da história da humanidade fica no Brasil.

    A tragédia humanitária do Cais do Valongo também explica, num piscar, outro “insolúvel mistério” que tem exigido ginástica de nossos intelectuais. O de sermos “o país da impunidade”. Em Berlim, turistas fazem fotos ao lado do Memorial do Holocausto. A imensa maioria dos nazistas foi identificada e punida. E o povo alemão morre de vergonha de seu passado.

    E os responsáveis pelo holocausto brasileiro? Onde estão? No Jockey Club, aplaudindo o cavalo vencedor no Grande Prêmio Brasil? Superfaturando obras no metrô? Lucrando com religiões que cobram dízimo? (A Igreja Católica, espécie de Igreja Evangélica do século XIX, foi condescendente com toda a escravidão no Brasil.) Orgulhando o país, por sua fortuna, espírito empreendedor e determinação em acabar com cracolândias a qualquer custo, nem que seja em enterros sanitários?

    E as vítimas (e seus descendentes) do holocausto brasileiro? Onde estão? Lutando por cotas em universidades? Batalhando vaga de titular na seleção de futebol? Vendendo bala no trânsito? Fazendo bico de avião do tráfico? Tendo seus cinco minutos de fama durante a transmissão do desfile das escolas de samba? Apodrecendo em cadeias superlotadas? Nas madrugadas pelo Brasil, fumando crack em lugares como o próprio Cais do Valongo, como já flagrado pelas câmeras de TV?

    Sendo aleijadas por balas perdidas dentro do útero da própria mãe?

    Onde estão os “pretos novos”?

    O Cais do Valongo é a resposta. Para tudo. Até para a também indecifrável apatia de nosso povo. E, por isso, deveria imediatamente transformar-se no epicentro do país. Congresso Nacional, Palácio do Planalto, tudo deveria mudar-se para o entorno do cais. O Valongo deveria se transformar um lugar de reflexão, até porque, por ser também nosso mais fiel espelho, nos reflete. O Valongo deveria transformar-se na nossa Mesquita de Al-Aqsa, no nosso Muro das Lamentações, no nosso Stonehenge. Nossa Acrópole. Nossa Persépolis. Nosso Memorial da Paz de Hiroshima. Nosso Ground Zero.

    O Cais do Valongo é a resposta para tudo porque é onde nosso país foi gestado. É onde nosso umbigo está conectado. O Cais do Valongo é o útero do Brasil. Um útero de pedra, sangue e rotina.”

    Por Dodô Azevedo


  • FUNZANA – Seminário de Pesquisa do NUER junho 2017 Santa Afro Catarina: História, Memória e Patrimônio com Beatriz Mamigonian

    Publicado em 30/06/2017 às 18:37


  • II Seminário Religiosidades AfroBrasileiras

    Publicado em 25/05/2017 às 19:21


  • I Seminário Religiosidades Afro-Brasileiras

    Publicado em 27/08/2016 às 7:58
    I Seminário Religiosidades Afro-Brasileiras

    I Seminário Religiosidades Afro-Brasileiras


  • Seminário Kadila – 25 de Maio

    Publicado em 21/05/2015 às 9:22

    kadila IV


  • Ciclo de Cinema

    Publicado em 20/05/2015 às 11:02

    cinama


  • Da “geração” e da “simpatia”. Ontologia, parentesco e ritual entre os axiluanda (Angola)

    Publicado em 18/05/2015 às 16:36

    nuer

     

    O campo ontológico das gentes de fala kimbundu da região de Luanda (Angola) estrutura-se em volta de dois tipos de relação: a geração e a simpatia.

    A simpatia é a qualidade própria da relação que liga os humanos a entidades benevolentes como os Santos e os gênios da natureza (nomeadamente as sereias). Ligadas à geração surgem algumas doenças e alguns espíritos tutelares.

    A simpatia expressa as relações contraídas por amizade e a afeição, enquanto a geração expressa as relações herdadas.

    Estas duas vertentes relacionais que estruturam o campo ontológico recalcam as relações, respectivamente, de parentesco e aliança entre humanos e a consequentemente conotação afetiva.

    Os dados apresentados foram coletados durante uma etnografia realizada em Luanda entre 2013 e 2014.


  • Universidade do Maranhão cria primeira graduação em Estudos Afro-Brasileiros

    Publicado em 04/05/2015 às 16:27

    Curso formará educadores e gestores com o objetivo de garantir a diversidade étnico-racial do Brasil nos currículos escolares

    A Universidade Federal do Maranhão (UFMA) vai oferecer, a partir deste semestre, no Campus de São Luís, o curso de graduação Licenciatura Interdisciplinar em Estudos Africanos e Afro-Brasileiros, o primeiro a ser criado no país. Já neste semestre será realizado processo seletivo especial para o preenchimento de 40 vagas no período noturno. O curso será presencial e terá duração de quatro anos.

    A iniciativa de criar o curso veio do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab). A realização do projeto foi coordenada pelos professores Carlos Benedito Rodrigues da Silva, Kátia Regis e Marcelo Pagliosa, com apoio do reitor Natalino Salgado. O objetivo é formar educadores e educadoras para atuarem no ensino fundamental e no ensino médio e qualificar gestores para formularem políticas educacionais voltadas à temática.

    Esses profissionais poderão contribuir para a implementação da Lei 10639, que instituiu o ensino de história e cultura afro-brasileira e de relações étnico-raciais nas escolas. “A lei oferece subsídios para o questionamento das relações étnico-raciais na sociedade brasileira, na qual a desigualdade entre negros e brancos é um elemento estrutural e estruturante da realidade social. Esta desigualdade se manifesta nas instituições educacionais por meio de seus currículos, que têm sido eurocêntricos e omitem e/ou distorcem a História e Cultura Africana e Afro-Brasileira”, afirma Kátia Regis.

    A lei foi sancionada em 2003 e, mesmo com alguns avanços, ainda não é plenamente efetiva. Apesar de diversas iniciativas de formação continuada de professores em estudos afro-brasileiros, há uma deficiência na formação inicial, na graduação, desses profissionais. “Há muita resistência à inclusão desta temática nos cursos de Pedagogia e nas licenciaturas. Geralmente a discussão sobre a temática ocorre em uma ou outra disciplina de História da África e/ou Educação para a Diversidade. Apesar da importância da inclusão destas disciplinas na estrutura curricular, consideramos que não é o suficiente para alterar visões ainda estereotipadas sobre os africanos e sobre a população negra brasileira, bem como, de forma isolada e/ou pontual, não consegue eliminar atitudes preconceituosas e racistas presentes na universidade. Ou seja, há a necessidade de ações mais incisivas nas atividades de ensino, pesquisa e extensão para que a temática adquira a relevância exigida na legislação mencionada”, defende Kátia Regis.

    O curso abrange áreas como História, Filosofia, Sociologia, Geografia e Fundamentos da Educação. “É importante reiterar que o curso não pretende mudar um foco etnocêntrico de raiz europeia por um africano, mas possibilitar a integração da diversidade étnico-racial do Brasil na formação inicial dos(as) docentes”, explica a professora da UFMA.

    Processo seletivo
    O processo seletivo para os candidatos que desejarem concorrer a uma vaga será realizado em uma única fase, por meio de uma prova objetiva contendo 40 questões. O conteúdo programático é o mesmo utilizado no Enem. Poderão candidatar-se todos que possuam certificado de conclusão de ensino médio ou equivalente, até a data de realização da matrícula.

    As vagas serão distribuídas em três categorias: ampla concorrência, pessoa com deficiência e escola pública. A inscrição será efetuada somente via internet, até 16 de março de 2015, com os procedimentos seguintes: acessar o endereço eletrônico concursos.ufma.br e preencher o requerimento, depois o candidato deverá imprimir o boleto bancário e efetuar o pagamento da taxa de inscrição, no valor de R$ 50 até o dia 17 de março próximo, em qualquer estabelecimento bancário. Para mais informações confira o edital.

    (Com informações da UFMA)

    Disponível em: www.heapflightnow.com


  • Chimpanzés, pessoas e cobras

    Publicado em 21/04/2015 às 10:50

    Uma crítica ao argumento científico usado pelo Ministério Público Federal em sua denúncia a professores, estudantes e técnicos da Universidade Federal de Santa Catarina

    Um fato novo, ocorrido há poucas semanas, fez com que a sociedade, mais uma vez, voltasse seu olhar para a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e seus integrantes. Sem receber, desta vez, por parte da imprensa nacional, a mesma atenção que recebeu o evento original, ocorrido há pouco mais de um ano, quando uma operação policial no campus da UFSC terminou em confronto, a notícia veiculada pelos jornais locais no último dia 13 de março é, de certo modo, tão inquietante quanto o próprio episódio que lhe deu origem.

    Veja Notícias da UFSC

    Artigo Publicado em: http://www.jornaldaciencia.org.br/chimpanzes-pessoas-e-cobras/